quinta-feira, 2 de junho de 2011

UNIRIO

É impressionante como as relações que a gente tem com certos lugares não dependem do tempo pelo qual o freqüentamos, mas sim, da intensidade das experiências vividas. Ou não. Na verdade, essas relações não têm nada de racional, é só uma questão de sentimento.

E o que eu sinto pela UNIRIO é muito mais do quem um simples apreço: é amor; e isso é um tanto quanto estranho porque não, nunca fui aluno da UNIRIO. Tive até pouco contato em relação a outros lugares, os quais freqüentei por bem mais tempo. Fiquei por 7 anos no CEFET/RJ, mas o que eu sinto por aquela instituição é muito inferior ao que eu sinto pela UNIRIO. Fiquei 2 anos na UFF [e se tudo der certo, pretendo ficar outros 4] e, até o presente momento, o que eu sinto pela UFF também é bem aquém.

A UNIRIO apareceu quando minha “nova vida” começou a se desenvolver, num momento em que eu me descobria, me abria pro mundo. Fui pra São Paulo em um ônibus da UNIRIO e conheci algumas pessoas, que, em sua maioria, passaram. Mas a UNIRIO não passou. Depois minha irmã entrou para a UNIRIO e estuda lá até hoje. Já fui a choppadas e festas por lá e elas são indiscutivelmente as melhores! O público, a freqüência, tudo é bom na UNIRIO.

Agora eu entro na UNIRIO como professor-tutor. Tenho uma turma de alunos à distância e tenho um plantão presencial lá todas as segundas-feiras à noite. Como vocês já podem adivinhar, os outros tutores que ficam comigo no plantão também são ótimas pessoas. Não sei se as pessoas legais vão para a UNIRIO ou se é a UNIRIO que torna as pessoas legais.

A UNIRIO é uma faculdade simples, aparentemente despretensiosa. Existe um mundo de coisas que acontecem por lá, mas tudo corre à boca pequena, é só pra quem sabe. Quem não conhece pensa que se trata de um anexo meio mal-ajambrado da UFRJ, mas as coisas não são bem por aí. Na Urca, um recanto bucólico da cidade, está instalada a UNIRIO, que é pequena, mas está longe de ser medíocre. É referência nos cursos voltados à arte (Música, Artes Cênicas), à saúde (Enfermagem, Medicina, Nutrição) e a algumas ciências sociais aplicadas (Museologia, Biblioteconomia, Arquivologia).

Gosto da UNIRIO hoje já nem sei mais porquê. E é complicado ficar procurando explicações quando o sentimento transcende a lógica... Mas, no fim das contas, o que eu tenho a dizer é o seguinte:
A UNIRIO é só amor!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Rua Bento Lisboa, paradoxo urbano


A Rua Bento Lisboa, no Catete, é um paradoxo urbano. Pra quem não sabe, a Rua Bento Lisboa é a rua que segue em direção ao Largo do Machado, paralela à Rua do Catete e de mão inversa. A Rua do Catete é a rua principal. Lá estão os bancos, o comércio e é a rua que é “a cara” do bairro. Quem não anda de metrô não sabe da existência da Bento Lisboa, já que a estação fica na Rua do Catete. Aliás, o Rio de Janeiro tem umas coisas engraçadas com isso. A Avenida Rio Branco, a principal rua comercial da cidade, é uma avenida de mão única de seis pistas e com três estações de metrô. Fico pensando que as pessoas que não são do Rio devem se perguntar por onde voltam todos aqueles carros que vão pela Rio Branco. A rua que volta é a Rua Primeiro de Março, menos famosa, menos hype, e com apenas três pistas; paradoxo urbano, não? Mas não estou aqui pra falar deste paradoxo especificamente, venho pra falar da Rua Bento Lisboa, que é, na minha opinião uma das ruas mais paradoxais do Rio de Janeiro.

Explico: a rua começa na Rua Pedro Américo, que por si só, é outro paradoxo. É uma rua que começa no Catete, continua 'virtualmente' dentro de uma favela e ressurge após a favela em Santa Teresa, mantendo o mesmo nome. O pedaço de dentro da favela é só 'virtual' mesmo, não existe; não tem como passar de carro, talvez de moto ou a pé. É uma rua que já existiu por completo um dia, creio, mas nasceu uma favela no meio dela.

Pois bem, a Bento Lisboa, começa na entrada de uma favela, à direita. A próxima esquina, à esquerda, é com a Rua Silveira Martins, que é uma das ruas mais nobres do bairro do Catete, sendo a rua da estação de metrô, do Palácio do Catete, etc... Tem-se mais uma rua à esquerda, a Rua Corrêa Dutra e, logo à direita, novamente, a entrada de uma outra favela, a Rua Tavares Bastos. Depois da Rua Tavares Bastos, à direita, existe um condomínio enorme e de alto padrão, construído recentemente, chamado Quartier Carioca. Este condomínio se situa na pedreira contígua à favela da Tavares Bastos e deu uma dinamizada na rua. O alto padrão do condomínio trouxe para a rua um outro padrão de comércio. Estes novos padrões de comércio e residências passam, então, a coexistir com os padrões anteriormente existentes.

A situação então, se torna bastante interessante. A rua é pequena, deve ter umas seis quadras. Mas comporta duas favelas e um condomínio de luxo. A tradicional Padaria Viriato, na esquina da Rua Tavares Bastos está a menos de uma quadra da padaria hype “Pão Francês”, que é uma espécie de bistrô. Agora a Rua bento Lisboa tem um restaurante de comida japonesa, o Bambu Mix, que convive ao lado de uns botecos muito sujos. A Rua tem um hotel, o Scorial Hotel, que fica em frente a barbearias tradicionais e a um prostíbulo no estilo do Centro da cidade. Além disso, a rua também tem uma creche-modelo, que é uma escola municipal da Prefeitura, novinha em folha. Esta creche fica ao lado de um aviário que tem um cheiro horroroso que, por sua vez, fica ao lado de uma adega muito descontextualizada que, por sua vez, fica ao lado de um hospital.

Em frente ao hospital, existe um brechó e também [coisa raríssima na Zona Sul do Rio de Janeiro], um... posto de gasolina! Junte-se a isso uma Casa & Video, uma loja de aparelhos de audição Aura e um curso de inglês Wise Up. Tem também um salão de beleza com o curioso e escalafobético nome de "Boteco de mulher" [cujo slogan é: "os homens se divertem no boteco, as mulheres no salão." Pra piorar a situação, agora eles inventaram de cortar cabelo de homem também e sabe-se lá o fim que vai levar o nome do lugar e o slogan... rsrsrsrs] 

A rua Bento Lisboa começa na Pedro Américo e termina no Largo do Machado. Pra quem conhece o Rio de Janeiro, sabe que há poucos lugares tão plurais na cidade como o Largo do Machado.

Da lama ao caos e do caos à lama, a Rua Bento Lisboa desponta como uma das ruas mais interessantes do Rio de Janeiro, onde ainda existem velhos cortiços abandonados e casas de ferragens, ao lado de condomínios de luxo e bistrôs.

Andar pela Rua Bento Lisboa é como viver um Rio de Janeiro diferente, mais real. Não é como a Rua do Catete ou a Rua Nossa Senhora de Copacabana ou o Mercadão de Madureira. Nesses lugares, existe um caos que é natural, previsível, quase harmônico.

Mas na Rua Bento Lisboa é aquele outro caos, uma desarmonia mesmo. Algum tempo atrás, ela foi cotada como uma das ruas mais feias do Rio de Janeiro. Talvez fosse. Mas agora, longe disso. Também está longe de ser uma rua charmosa. Mas tem um equilíbrio desarmônico e tênue, muito próprio. E que é bonito. Mas só percebe quem está de olhos atentos.

Obs: ia tirar uma foto da rua, mas peguei essa imagem no Google Street View. Legal, né? =P

domingo, 26 de dezembro de 2010

Tchau, 2010!


O ano de 2010 foi (ok, está sendo ainda) um ano bastante peculiar. Naturalmente, não havia meios de ser melhor que 2009, que foi simplesmente o melhor ano da minha vida. Mas eu vou ter que aprender a não nivelar as coisas tão por cima assim. Mas não posso botar a culpa em 2010. Se 2010 não foi bom, ou não foi exatamente do jeito que eu quis, a culpa é toda minha!

Explico: 2010 foi um ano em que eu decidi! Foi um ano de grandes decisões e grandes rupturas. Foi um ano de um aprendizado intenso. Sabe essa gente que se fode, mas aprende? Então.

O ano começou lindo. Tive o melhor Reveillòn da minha vida. Em seguida, tive um Carnaval mágico. Se não foi o melhor da minha vida, é algo assim, que só se compara ao Carnaval de 2006.

Mas depois do Carnaval, ah, foi tudo começando a desandar e 2010 foi mostrando suas garras afiadas. Saí do meu emprego. Eu, funcionário público, estável. Joguei fora. Joguei fora também um relacionamento [lindo!] que eu tinha em busca de uma outra coisa, de uma proposta nova que não deu em nada. No fim das contas, acabei trocando um namoro por uma nova amizade [ótima!]. Não sei se foi justo, se foi certo, se foi a melhor escolha. Mas 2010 é isso. É perceber que cada escolha tem um preço.

Não me arrependo de ter feito escolhas. Na verdade, não me arrependo nem mesmo das escolhas que eu fiz. Até porque eu paguei com juros e correções monetárias o preço de tudo que eu escolhi. A única coisa que eu me arrependo [mesmo!] é de não ter chamado de amor o que era amor. Isso foi uma burrice, uma coisa assim de quem tem um coração de pedra que eu não me proponho a ser mais.

No fim das contas, quando eu achei que estava bem, eu ainda saí da análise. Estive à beira de um surto? Não, não digo. Mas houve momentos em que os dias foram tediosos, muito tediosos, houve momentos em que as coisas pareciam insustentáveis em si mesmas, insuportáveis. Foram seis meses do meu pedido de demissão até a admissão no meu outro emprego, seis meses que foram uma espécie de vácuo onde nada acontecia.

Do namoro terminado, alguns dias e noites de choro, bateção de cabeça, solidão. Solidão mesmo. Sabe essa coisa de ficar procurando a pessoa certa nas pessoas erradas? Fiquei algum tempo investindo em microrrelacionamentos que não davam certo, que não iam pra frente. Tive alguns encantamentos, posso dizer que cheguei bem perto de me apaixonar [será que eu me apaixonei?], mas parecia que sempre faltava alguma coisa.

Paguei [e ainda pago] com o corpo o preço das escolhas todas, das rupturas que busquei: crises de ansiedade e enjôos crônicos que, depois de TODOS os exames possíveis e imagináveis, constatei que são de origem psicossomática.

De bom mesmo, meu mestrado acabou. Acabou tarde, passando da hora já. E agora eu tenho um diploma que não sei bem pra quê que serve.

Mas fiz amizades, reforcei alguns outros laços importantes. Minha vida literária começou a frutificar, ganhei dois prêmios literários. Em 2010, eu deixei de ser prosaico e passei a ser poético. Passei num concurso e tenho um emprego legal, mas não consigo ver isso como uma grande conquista, porque dado o tempo que fiquei sem fazer nada [só estudando], tenho pra mim que não fiz mais do que minha obrigação.

Em 2010, eu descobri que tem muita gente legal no mundo e que eu posso ir pra uma mesa de bar ou pra uma festa com todas elas. Mas meus amigos mesmo, de verdade, eu conto nos dedos. Mas é lógico que eu não estou fechado a novas amizades, eu estou construindo amizades duradouras em 2010 [inclusive no trabalho, quem diria?]. Ah sim, em 2010 eu perdi amizades também. Mas quanto às amizades que perdi, quero mais é que se fodam. :)

Voltei pra análise e tenho discutidos esses pontos que me afligem. Sou uma pessoa legal, no fim das contas. Sou muito menos filho-da-puta do que me pintam e do que eu mesmo posso me achar às vezes. Em 2010, eu dependi da night pra ser alguém, eu vi meus parâmetros serem distorcidos de forma paulatina e sorrateira. Quando eu vi, eu gastava mais dinheiro com roupas do que com livros. Eu fiquei fútil. Em 2010, eu me perdi.

Mas vejam, só; no fim das contas, acho que amadureci tanto que virei adulto, mas adulto de verdade. Do alto dos meus 23 anos, vejo que há cada vez menos resquícios da adolescência em mim. E ser adulto é bom.

Tive uma grata surpresa neste fim de ano: o amor. O amor brota do nada, e é isso. Dia desses eu perguntei, acho que aqui mesmo no blog: “O que é que nos move à frente, ou ainda, o que não nos move?” Agora pra mim é muito claro que a resposta pra isso é o amor. É o amor que nos move à frente ou nos freia, e isso é claro pra mim, é claríssimo.

É engraçado perceber que a gente está sempre se transformando. Não me imagino com esse tipo de raciocínio há pouco tempo atrás e não me imaginava falando de amor tão sem pudores e sem rodeios. Mas sim, amor, amor! No fundo, é o que vale.

Porque esse foi um ano em que em nenhum momento me faltou dinheiro. Mas durante muito tempo me faltou o amor. E foi aí que eu percebi que não importa o dinheiro: sem amor, você não vai a lugar nenhum. E esse foi o meu grande ensinamento de 2010!

Dezembro de 2010, quando o amor sorriu pra mim, é o prenúncio de um 2011 fantástico, absoluto. Quero mais amor e mais felicidade, mais sentimento. E é o que eu desejo a vocês todos: muito mais do que não se compra e não se vende, uma vida menos supérflua e mais verdadeira, mais de verdade. Amor, saúde, paz, harmonia, tudo de bom pra quem estiver lendo e mesmo pra quem não estiver lendo, mas me preza e gosta de mim.

Tchau, 2010! Sou grato pelos ensinamentos, mas quitei todas as minhas dívidas.

Que venha 2011, há de ser um deleite!

Beijos,

Igor

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Platôs e cordas bambas [3]

Tentativa boba essa de classificar o mundo e as coisas entre platôs e cordas bambas. Tudo é platô e tudo é corda bamba. Tal como o espaço e o tempo, são coisas que não podem ser vistas em separado. Ou melhor, até podem. Mas algo se perde.

O estranho é admitir que tudo que aí está, o que inclui nossas próprias vidas, é um enorme, complexo e fantástico sistema, o sistema platô-cordabamba. A curvatura do sistema platô-cordabamba arrasta as massas e as energias pra essa espécie de buraco negro onde tudo pode ser platô ou tudo pode ser corda bamba.

Mas nunca chegamos, estamos sempre nesse oscilar de movimento que é sempre um equilibrar-se. Um pouco platô, um pouco corda bamba; ser pedra e também ser vidraça; yin, yang. Dicotomias de um todo que, por mais que a gente insista em separar, é tudo uma coisa só.

Paradoxal e pendular, complexo sistema platô-cordabamba, mais ou menos como o ano de 2010.

Letra de música que condiz: Part of me laughs, part of me cries, part of me wants to question why. [Spice Girls]

ps: essa história de platô e corda bamba já deu, né? vou virar o disco, devo falar sobre o ano de 2010 dentro em breve, daí volto a falar de coisas legais, juro [ou não. =PP]

sábado, 4 de dezembro de 2010

Platôs e cordas bambas [2]

Ainda não sei quanto tempo falta, mas sei que falta pouco. Sei que daqui, de onde estou agora, já passei da metade da corda bamba e consigo entrever o platô do lado de lá, verde, pujante. Só sei que ao final de tudo isso, e já está quase no final que eu sei, tem gente me esperando do lado de lá, tem gente no platô. Gente que sorri, gente minha amiga e gente que gosta de mim, eu sei que eu tenho uma torcida imensa e que isso tudo é só uma má fase que já vai melhorando, que vai passando aos pouquinhos, que vai se curando devagar e sem pressa enquanto caminho pela corda bamba resoluto e sem medo da queda [porque não dá pra ter medo]. E sei lá, pra toda essa galera que me acena e quase se debruça no precipício pra me puxar de onde eu estiver, eu só tenho a agradecer. E mando um recado pra todos vocês [lindos] que me esperam no platô: eu estou chegando, e eu estou chegando rápido.

Todo caminho é mais fácil de ser trilhado quando tem alguém que te espera no pódio.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Platôs e cordas bambas


A vida é assim. A gente vai durante muito tempo caminhando por um imenso platô, liso, de terra batida, onde a grama é bem verde as flores são amarelas. O caminho é belo e sem percalços, e a gente vai descalço. Pode chover e pode relampejar que a gente continua indo descalço sem medo de cair e sem medo de adoecer. Porque a gente é jovem, e porque todas as tragédias que o mundo pode lhe oferecer serão inequivocamente atribuídas ao vizinho, afinal de contas, o inferno são os outros. O platô é lindo. Mas os altos platôs são altíssimos e, se formos sempre em linha reta, pode ser que haja um precipício lá embaixo.

As moléstias da vida, que podem ser físicas ou psicológicas [e há quem creia nas espirituais também], estão aí. A terra do platô pode estar contaminada por lítio, ou por radioatividade; as flores amarelas podem ter pragas ou abelhas venenosas; a grama verde pode ter fungos ou abrigar protozoários perigosos que a ciência ainda não conseguiu catalogar.

O problema da moléstia, independente de qual seja, é a culpa. Os que andam descalços por sobre os platôs molhados da chuva de ontem e que sabem que a terra molhada pode lhes adoecer, sim, estes têm culpa. No entanto, não têm culpa os que andam calçados sobre a terra. Não têm culpa aqueles cujas cabeças são atingidas por um raio numa madrugada violenta.

Há males de toda sorte. E para a maioria deles, não há culpa. Ou seja, aparte as doenças sexualmente transmissíveis, as gripes contraídas nos dias frios em que não se agasalha, algumas doenças do fumo e do álcool e outras pequenas exceções, não há culpa. E nessa ausência de culpa incluem-se aí os cânceres, as doenças silenciosas do coração, as síndromes de nomes estranhos que acometem 1 em 10 milhões, essas coisas; ninguém tem culpa. Ninguém tem culpa se o fígado se dilatou de uma forma estranha, ninguém tem culpa de uma nefrite, de uma tuberculose, de um cisto no ovário, de um tumor no joelho. Ninguém tem culpa.

As religiões tentam atribuir aos males de toda sorte que acometem os seres humanos alguma propriedade espiritual, divina. Chamam a isso de martírio. É mártir aquele que suporta a dor, que aguenta as chagas. Ser mártir de qualquer coisa é um prêmio de consolação pela desgraça. Não adianta ser mártir, o que importa é estar vivo.

Mas quando olhamos o precipício lá embaixo, de cima dos mais altos platôs, sentimos vertigem. Mas não importa, temos que cruzar a corda bamba [às vezes, de salto alto], temos que chegar lá do outro lado para continuar nossa caminhada pelos mesmos prados de gramados verdes e flores amarelas, multicoloridas talvez. Temos que continuar a nossa caminhada pelos mesmos prados, ainda que descontínuos, ainda que entrecortados por cordas bambas.

Porque é isso. Caminhamos sempre, sempre pra frente. Alternamos entre platôs e cordas bambas. Que o acaso, a sorte e a firmeza nos pés estejam sempre conosco ao caminhar. Ninguém quer cair da corda bamba, e nem podemos.

É natural que não percebamos o quão importantes são as cordas bambas. Mas fortalecem as pernas, nos equilibram mais para o próximo platô, nos deixam seguros. As cordas bambas não são do bem e nem são do mal. Elas estão aí, sempre.

Que existam, porque há que existirem, mas que sejam em pequenas quantidades, e curtas. No entanto, se forem longas, que nunca ofusquem a vista ou turvem as idéias de modo a nos fazer ignorar que, sim, que, mesmo que longe, existe um outro platô do lado de lá.


Obs: Sei que meu texto está bem ‘bad trip’. Mas informo a quem interessar possa que não tenho AIDS, não tenho sífilis, não tenho nenhuma doença sexualmente transmissível. Informo também que não tenho câncer e nem estou morrendo. Informo que estou bem, estou vivo e estou disponível. [tem que fazer esclarecimentos porque as pessoas são malucas, e o que eu já sofri de mal-entendidos nesse blog não está no gibi... rsrsrsrs] Mas é que esses dias têm sido meio chatos e cansativos, tediosos até [e ok, minha saúde não tem estado 100% também]. Agora, sem mais delongas, esse post é pra explicar que tenho passado por um momento mais corda bamba do que platô, esse fim de ano está com uns lances que não tenho curtido muito... Mas o fim de ano está chegando, e dentro em breve, teremos um post retrospectivo por aqui. =PP Beijos!

domingo, 31 de outubro de 2010

Ortografia e sexualidade


O travessão é masculino e o ponto final também. Talvez isso ocorra porque ao homem sempre foi dado o direito de falar e a ele sempre coube encerrar os assuntos.

No entanto, a exclamação, a interrogação e a vírgula são femininas. Naturalmente isto ocorre porque à mulher é dado o direito de exclamar, de questionar e, sobretudo, o direito de interromper.

O cifrão é masculino. O euro também é masculino. Os mais incautos podem depreender daí que o dinheiro está associado à masculinidade e ao poder. Mas a libra esterlina é feminina. E é a moeda mais cara de todas.

Os acentos são masculinos. Agudos ou cinrcunflexos, representam a força do homem, expressa na tônica de cada palavra.

O til também é masculino. No entanto, não atinge a força e a potência dos acentos. Não é formado por traços nem ângulos; é sinuoso, mas ainda assim, masculino. É metrossexual.

Os parênteses são masculinos, bem como os colchetes. Ambos têm formato simples e expressam coisas triviais. No entanto, as chaves são femininas. As chaves são utilizadas em expressões matemáticas de grande complexidade, e por si só, já são complicadas, difíceis de desenhar. Representam toda a complexidade da mulher moderna.

A barra e a barra invertida são femininas. Elas são como mães e avós, são opostas em si mesmas; mas estão sempre lá, ainda que pouco solicitadas. Quando, contudo, precisamos delas, nos guiam, nos mostram o caminho e, tal como arquivos de computador, fazem com que cheguemos exatamente onde queiramos.

A arroba é a mulher que está envolvida e a cedilha é aquela mulher mercenária que se pendura nos homens que, coitados, sempre minúsculos, têm sua vida radicalmente transformada.

A tralha é feminina, mas ninguém sabe. Os que ainda não perceberam tratar-se de uma mulher, insistem em chamá-la pela alcunha masculina de “o jogo-da-velha”.

Porém, quanto a outros elementos, não há dúvidas. As aspas são lésbicas, os dois pontos são gays e o ponto-e-vírgula é um travesti.