domingo, 26 de dezembro de 2010

Tchau, 2010!


O ano de 2010 foi (ok, está sendo ainda) um ano bastante peculiar. Naturalmente, não havia meios de ser melhor que 2009, que foi simplesmente o melhor ano da minha vida. Mas eu vou ter que aprender a não nivelar as coisas tão por cima assim. Mas não posso botar a culpa em 2010. Se 2010 não foi bom, ou não foi exatamente do jeito que eu quis, a culpa é toda minha!

Explico: 2010 foi um ano em que eu decidi! Foi um ano de grandes decisões e grandes rupturas. Foi um ano de um aprendizado intenso. Sabe essa gente que se fode, mas aprende? Então.

O ano começou lindo. Tive o melhor Reveillòn da minha vida. Em seguida, tive um Carnaval mágico. Se não foi o melhor da minha vida, é algo assim, que só se compara ao Carnaval de 2006.

Mas depois do Carnaval, ah, foi tudo começando a desandar e 2010 foi mostrando suas garras afiadas. Saí do meu emprego. Eu, funcionário público, estável. Joguei fora. Joguei fora também um relacionamento [lindo!] que eu tinha em busca de uma outra coisa, de uma proposta nova que não deu em nada. No fim das contas, acabei trocando um namoro por uma nova amizade [ótima!]. Não sei se foi justo, se foi certo, se foi a melhor escolha. Mas 2010 é isso. É perceber que cada escolha tem um preço.

Não me arrependo de ter feito escolhas. Na verdade, não me arrependo nem mesmo das escolhas que eu fiz. Até porque eu paguei com juros e correções monetárias o preço de tudo que eu escolhi. A única coisa que eu me arrependo [mesmo!] é de não ter chamado de amor o que era amor. Isso foi uma burrice, uma coisa assim de quem tem um coração de pedra que eu não me proponho a ser mais.

No fim das contas, quando eu achei que estava bem, eu ainda saí da análise. Estive à beira de um surto? Não, não digo. Mas houve momentos em que os dias foram tediosos, muito tediosos, houve momentos em que as coisas pareciam insustentáveis em si mesmas, insuportáveis. Foram seis meses do meu pedido de demissão até a admissão no meu outro emprego, seis meses que foram uma espécie de vácuo onde nada acontecia.

Do namoro terminado, alguns dias e noites de choro, bateção de cabeça, solidão. Solidão mesmo. Sabe essa coisa de ficar procurando a pessoa certa nas pessoas erradas? Fiquei algum tempo investindo em microrrelacionamentos que não davam certo, que não iam pra frente. Tive alguns encantamentos, posso dizer que cheguei bem perto de me apaixonar [será que eu me apaixonei?], mas parecia que sempre faltava alguma coisa.

Paguei [e ainda pago] com o corpo o preço das escolhas todas, das rupturas que busquei: crises de ansiedade e enjôos crônicos que, depois de TODOS os exames possíveis e imagináveis, constatei que são de origem psicossomática.

De bom mesmo, meu mestrado acabou. Acabou tarde, passando da hora já. E agora eu tenho um diploma que não sei bem pra quê que serve.

Mas fiz amizades, reforcei alguns outros laços importantes. Minha vida literária começou a frutificar, ganhei dois prêmios literários. Em 2010, eu deixei de ser prosaico e passei a ser poético. Passei num concurso e tenho um emprego legal, mas não consigo ver isso como uma grande conquista, porque dado o tempo que fiquei sem fazer nada [só estudando], tenho pra mim que não fiz mais do que minha obrigação.

Em 2010, eu descobri que tem muita gente legal no mundo e que eu posso ir pra uma mesa de bar ou pra uma festa com todas elas. Mas meus amigos mesmo, de verdade, eu conto nos dedos. Mas é lógico que eu não estou fechado a novas amizades, eu estou construindo amizades duradouras em 2010 [inclusive no trabalho, quem diria?]. Ah sim, em 2010 eu perdi amizades também. Mas quanto às amizades que perdi, quero mais é que se fodam. :)

Voltei pra análise e tenho discutidos esses pontos que me afligem. Sou uma pessoa legal, no fim das contas. Sou muito menos filho-da-puta do que me pintam e do que eu mesmo posso me achar às vezes. Em 2010, eu dependi da night pra ser alguém, eu vi meus parâmetros serem distorcidos de forma paulatina e sorrateira. Quando eu vi, eu gastava mais dinheiro com roupas do que com livros. Eu fiquei fútil. Em 2010, eu me perdi.

Mas vejam, só; no fim das contas, acho que amadureci tanto que virei adulto, mas adulto de verdade. Do alto dos meus 23 anos, vejo que há cada vez menos resquícios da adolescência em mim. E ser adulto é bom.

Tive uma grata surpresa neste fim de ano: o amor. O amor brota do nada, e é isso. Dia desses eu perguntei, acho que aqui mesmo no blog: “O que é que nos move à frente, ou ainda, o que não nos move?” Agora pra mim é muito claro que a resposta pra isso é o amor. É o amor que nos move à frente ou nos freia, e isso é claro pra mim, é claríssimo.

É engraçado perceber que a gente está sempre se transformando. Não me imagino com esse tipo de raciocínio há pouco tempo atrás e não me imaginava falando de amor tão sem pudores e sem rodeios. Mas sim, amor, amor! No fundo, é o que vale.

Porque esse foi um ano em que em nenhum momento me faltou dinheiro. Mas durante muito tempo me faltou o amor. E foi aí que eu percebi que não importa o dinheiro: sem amor, você não vai a lugar nenhum. E esse foi o meu grande ensinamento de 2010!

Dezembro de 2010, quando o amor sorriu pra mim, é o prenúncio de um 2011 fantástico, absoluto. Quero mais amor e mais felicidade, mais sentimento. E é o que eu desejo a vocês todos: muito mais do que não se compra e não se vende, uma vida menos supérflua e mais verdadeira, mais de verdade. Amor, saúde, paz, harmonia, tudo de bom pra quem estiver lendo e mesmo pra quem não estiver lendo, mas me preza e gosta de mim.

Tchau, 2010! Sou grato pelos ensinamentos, mas quitei todas as minhas dívidas.

Que venha 2011, há de ser um deleite!

Beijos,

Igor

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Platôs e cordas bambas [3]

Tentativa boba essa de classificar o mundo e as coisas entre platôs e cordas bambas. Tudo é platô e tudo é corda bamba. Tal como o espaço e o tempo, são coisas que não podem ser vistas em separado. Ou melhor, até podem. Mas algo se perde.

O estranho é admitir que tudo que aí está, o que inclui nossas próprias vidas, é um enorme, complexo e fantástico sistema, o sistema platô-cordabamba. A curvatura do sistema platô-cordabamba arrasta as massas e as energias pra essa espécie de buraco negro onde tudo pode ser platô ou tudo pode ser corda bamba.

Mas nunca chegamos, estamos sempre nesse oscilar de movimento que é sempre um equilibrar-se. Um pouco platô, um pouco corda bamba; ser pedra e também ser vidraça; yin, yang. Dicotomias de um todo que, por mais que a gente insista em separar, é tudo uma coisa só.

Paradoxal e pendular, complexo sistema platô-cordabamba, mais ou menos como o ano de 2010.

Letra de música que condiz: Part of me laughs, part of me cries, part of me wants to question why. [Spice Girls]

ps: essa história de platô e corda bamba já deu, né? vou virar o disco, devo falar sobre o ano de 2010 dentro em breve, daí volto a falar de coisas legais, juro [ou não. =PP]

sábado, 4 de dezembro de 2010

Platôs e cordas bambas [2]

Ainda não sei quanto tempo falta, mas sei que falta pouco. Sei que daqui, de onde estou agora, já passei da metade da corda bamba e consigo entrever o platô do lado de lá, verde, pujante. Só sei que ao final de tudo isso, e já está quase no final que eu sei, tem gente me esperando do lado de lá, tem gente no platô. Gente que sorri, gente minha amiga e gente que gosta de mim, eu sei que eu tenho uma torcida imensa e que isso tudo é só uma má fase que já vai melhorando, que vai passando aos pouquinhos, que vai se curando devagar e sem pressa enquanto caminho pela corda bamba resoluto e sem medo da queda [porque não dá pra ter medo]. E sei lá, pra toda essa galera que me acena e quase se debruça no precipício pra me puxar de onde eu estiver, eu só tenho a agradecer. E mando um recado pra todos vocês [lindos] que me esperam no platô: eu estou chegando, e eu estou chegando rápido.

Todo caminho é mais fácil de ser trilhado quando tem alguém que te espera no pódio.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Platôs e cordas bambas


A vida é assim. A gente vai durante muito tempo caminhando por um imenso platô, liso, de terra batida, onde a grama é bem verde as flores são amarelas. O caminho é belo e sem percalços, e a gente vai descalço. Pode chover e pode relampejar que a gente continua indo descalço sem medo de cair e sem medo de adoecer. Porque a gente é jovem, e porque todas as tragédias que o mundo pode lhe oferecer serão inequivocamente atribuídas ao vizinho, afinal de contas, o inferno são os outros. O platô é lindo. Mas os altos platôs são altíssimos e, se formos sempre em linha reta, pode ser que haja um precipício lá embaixo.

As moléstias da vida, que podem ser físicas ou psicológicas [e há quem creia nas espirituais também], estão aí. A terra do platô pode estar contaminada por lítio, ou por radioatividade; as flores amarelas podem ter pragas ou abelhas venenosas; a grama verde pode ter fungos ou abrigar protozoários perigosos que a ciência ainda não conseguiu catalogar.

O problema da moléstia, independente de qual seja, é a culpa. Os que andam descalços por sobre os platôs molhados da chuva de ontem e que sabem que a terra molhada pode lhes adoecer, sim, estes têm culpa. No entanto, não têm culpa os que andam calçados sobre a terra. Não têm culpa aqueles cujas cabeças são atingidas por um raio numa madrugada violenta.

Há males de toda sorte. E para a maioria deles, não há culpa. Ou seja, aparte as doenças sexualmente transmissíveis, as gripes contraídas nos dias frios em que não se agasalha, algumas doenças do fumo e do álcool e outras pequenas exceções, não há culpa. E nessa ausência de culpa incluem-se aí os cânceres, as doenças silenciosas do coração, as síndromes de nomes estranhos que acometem 1 em 10 milhões, essas coisas; ninguém tem culpa. Ninguém tem culpa se o fígado se dilatou de uma forma estranha, ninguém tem culpa de uma nefrite, de uma tuberculose, de um cisto no ovário, de um tumor no joelho. Ninguém tem culpa.

As religiões tentam atribuir aos males de toda sorte que acometem os seres humanos alguma propriedade espiritual, divina. Chamam a isso de martírio. É mártir aquele que suporta a dor, que aguenta as chagas. Ser mártir de qualquer coisa é um prêmio de consolação pela desgraça. Não adianta ser mártir, o que importa é estar vivo.

Mas quando olhamos o precipício lá embaixo, de cima dos mais altos platôs, sentimos vertigem. Mas não importa, temos que cruzar a corda bamba [às vezes, de salto alto], temos que chegar lá do outro lado para continuar nossa caminhada pelos mesmos prados de gramados verdes e flores amarelas, multicoloridas talvez. Temos que continuar a nossa caminhada pelos mesmos prados, ainda que descontínuos, ainda que entrecortados por cordas bambas.

Porque é isso. Caminhamos sempre, sempre pra frente. Alternamos entre platôs e cordas bambas. Que o acaso, a sorte e a firmeza nos pés estejam sempre conosco ao caminhar. Ninguém quer cair da corda bamba, e nem podemos.

É natural que não percebamos o quão importantes são as cordas bambas. Mas fortalecem as pernas, nos equilibram mais para o próximo platô, nos deixam seguros. As cordas bambas não são do bem e nem são do mal. Elas estão aí, sempre.

Que existam, porque há que existirem, mas que sejam em pequenas quantidades, e curtas. No entanto, se forem longas, que nunca ofusquem a vista ou turvem as idéias de modo a nos fazer ignorar que, sim, que, mesmo que longe, existe um outro platô do lado de lá.


Obs: Sei que meu texto está bem ‘bad trip’. Mas informo a quem interessar possa que não tenho AIDS, não tenho sífilis, não tenho nenhuma doença sexualmente transmissível. Informo também que não tenho câncer e nem estou morrendo. Informo que estou bem, estou vivo e estou disponível. [tem que fazer esclarecimentos porque as pessoas são malucas, e o que eu já sofri de mal-entendidos nesse blog não está no gibi... rsrsrsrs] Mas é que esses dias têm sido meio chatos e cansativos, tediosos até [e ok, minha saúde não tem estado 100% também]. Agora, sem mais delongas, esse post é pra explicar que tenho passado por um momento mais corda bamba do que platô, esse fim de ano está com uns lances que não tenho curtido muito... Mas o fim de ano está chegando, e dentro em breve, teremos um post retrospectivo por aqui. =PP Beijos!

domingo, 31 de outubro de 2010

Ortografia e sexualidade


O travessão é masculino e o ponto final também. Talvez isso ocorra porque ao homem sempre foi dado o direito de falar e a ele sempre coube encerrar os assuntos.

No entanto, a exclamação, a interrogação e a vírgula são femininas. Naturalmente isto ocorre porque à mulher é dado o direito de exclamar, de questionar e, sobretudo, o direito de interromper.

O cifrão é masculino. O euro também é masculino. Os mais incautos podem depreender daí que o dinheiro está associado à masculinidade e ao poder. Mas a libra esterlina é feminina. E é a moeda mais cara de todas.

Os acentos são masculinos. Agudos ou cinrcunflexos, representam a força do homem, expressa na tônica de cada palavra.

O til também é masculino. No entanto, não atinge a força e a potência dos acentos. Não é formado por traços nem ângulos; é sinuoso, mas ainda assim, masculino. É metrossexual.

Os parênteses são masculinos, bem como os colchetes. Ambos têm formato simples e expressam coisas triviais. No entanto, as chaves são femininas. As chaves são utilizadas em expressões matemáticas de grande complexidade, e por si só, já são complicadas, difíceis de desenhar. Representam toda a complexidade da mulher moderna.

A barra e a barra invertida são femininas. Elas são como mães e avós, são opostas em si mesmas; mas estão sempre lá, ainda que pouco solicitadas. Quando, contudo, precisamos delas, nos guiam, nos mostram o caminho e, tal como arquivos de computador, fazem com que cheguemos exatamente onde queiramos.

A arroba é a mulher que está envolvida e a cedilha é aquela mulher mercenária que se pendura nos homens que, coitados, sempre minúsculos, têm sua vida radicalmente transformada.

A tralha é feminina, mas ninguém sabe. Os que ainda não perceberam tratar-se de uma mulher, insistem em chamá-la pela alcunha masculina de “o jogo-da-velha”.

Porém, quanto a outros elementos, não há dúvidas. As aspas são lésbicas, os dois pontos são gays e o ponto-e-vírgula é um travesti.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ahead


Alguma coisa em mim muda, e apesar de parecer que muda devagar, muda depressa. E daí eu fico meio descompassado, desritmado: jogo montes de roupas fora, gasto dinheiro em coisas novas, invisto tempo em coisas diferentes. Do lado de dentro e do lado de fora tem muita coisa que não me representa mais, tem muita coisa em mim que já não sou, que não quero mais. Quero a vida menos fluida, quero crescer, quero ver o bolo tomar forma e consistência, quero projetos, ah, eu quero tanto.

Sei que a vida não é de graça e que os desígnios do destino são mesmo insondáveis. Mas estou tendo que aprender a ruminar esse cotidiano e a ir curtindo os melindres dessa coisa que não é alimento e que não é bolo alimentar ainda e que, portanto, tenho muita dificuldade em digerir.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

[re] conquista

ligar num fim de tarde
pra dizer que
nada basta
e tudo basta

que somos assim
espetáculo
tentativa de subversão

ainda que
afoitos e aflitos,
entre nós,

saibamos que
somos nossos
e que somos
nós, independentes

dessas coisas
pessoas e mundos
que nos prendem
que nos chamam
e nos gritam

a gente sabe que
tudo isso é nada
e que esse nada
também é tudo,
porque

nossos traços,
descompassados,
sem harmonia,

hão de revelar ainda
que não fomos feitos
um pro outro,
mas

a gente se tem
e se abandona,
todos os dias

incessantes
e paulatinos
certos de que

essa é
a melhor forma de
sermos

e estarmos