sábado, 28 de fevereiro de 2009

] ("Xampoo")


os parênteses
se inconformam com a injúria
proclamada
contra o casto colchete

e se abrem
junto com as aspas
jocastas e as caspas
dos cabelos já grisalhos

até que dure o protesto
cinza nos cabelos
presos com o colchete

fazendo tic-tac
e tac-tic

para que se repudie
a infâmia e o falso testemunho
contra os ossos e o ofício
os cabelos e a gramática

e se possam enfim
fechar
após terem concluído
necessariamente

entre lêndeas natimortas
e vernáculos apodrecidos

o que quer
que tivessem para dizer

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

naftalina


o post seria colocado aqui, mas, senhores, tenho que contar-lhes que o post não existe. é. na verdade, é mais ou menos assim: o post me ocupou a ideia por esses dias, meio sorrateiro e elétrico, mas sem nunca se concretizar em qualquer coisa que não fosse mais do que uns pensamentos esparsos e desordenados. qualquer coisa poderia caber no post se ele existisse: qualquer rastro de lucidez, nesga de sonho, literatura de algodão. qualquer poesia adubada teria valido a pena para que não crescessem nas paredes brancas deste blog o bolor da inércia continuada. mas o post, é, pois, nada mais do que isso: uma naftalina para que não se embolore o quer que haja, e para manter as fantasias deste carnaval tão limpas e vistosas como as daquele.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Melô do acadêmico

Lattes, lattes, lattes que eu to passando, vai...

[risos]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

os dias vão e vêm

os dias vão e vêm. sexta-feira última, 23, foi um dia profissionalmente ruim. 24 foi um dia complexo e intenso; mais ou menos como um 2 de agosto do ano passado, mas em menores proporções. não houve morte, não houve perda, não terminei nenhum relacionamento. mas quanta dor, quanto choro convulso depois do verbo proferido avulso, por impulso. mas foi bom, um dia o mundo haveria de mostrar sua face, e eu haveria de saber. mas se o dia só acaba depois do sono, a noite quase compensa o dia e o saldo não foi tão ruim. 25 foi um dia desajeitado, abusado; diferente, divertido. belo sem ser planejado. eu junto amigos, eu conecto os mundos alheios em si. alguns fantasmas fizeram menção de voltar com seus assombros, mas quem tem medo de assombração é criança; pros adultos, fantasma é lenda, não existe, é um velho com lençol branco; que olha assustado quando se vê pelado, depois que lhe tiram o lençol manchado. é, os dias vão e vêm. quanta vida cabe num final de semana...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

ideia, cacete. eu quis dizer ideia.

post (ou a idéia não está morta)

agora eu me sinto livre. livre para escrever um post sem uma imagem centralizada; livre para não escrever uma poesia ou qualquer coisa literária. livre pra falar de um filme, uma música, o gosto do café. livre pra ser frívolo; ou não. cai em mim agora a realidade de que eu tenho um blog. e quero que o blog a partir de agora seja alguma coisa mais ou menos como talvez tenha sido no início; alegórico, sem ser carnavalesco; talvez pessoal, mas sem detalhes (sórdidos, elucubrativos, sexuais, sensitivos, esmiuçadamente psicológicos), que serão dados, naturalmente, a quem merece, por telefone ou ao vivo. eu quero que esse blog seja algo que eu ainda não sei bem o que é, mas que com certeza, não é o caminho que se vê nele agora. será mais freqüente, espero. a revolução começa agora, mas nada prometo porque o paes e o obama já fazem isso por nós. o blog muda e abraça a liberdade; e vc?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Orthographia

Já chegou ao pensamento e o medo agora é de que chegue também à fala: depois que a estréia virou estreia, a minha assimilação fonética só consegue entender estrêia.