sábado, 28 de fevereiro de 2009

] ("Xampoo")


os parênteses
se inconformam com a injúria
proclamada
contra o casto colchete

e se abrem
junto com as aspas
jocastas e as caspas
dos cabelos já grisalhos

até que dure o protesto
cinza nos cabelos
presos com o colchete

fazendo tic-tac
e tac-tic

para que se repudie
a infâmia e o falso testemunho
contra os ossos e o ofício
os cabelos e a gramática

e se possam enfim
fechar
após terem concluído
necessariamente

entre lêndeas natimortas
e vernáculos apodrecidos

o que quer
que tivessem para dizer

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

naftalina


o post seria colocado aqui, mas, senhores, tenho que contar-lhes que o post não existe. é. na verdade, é mais ou menos assim: o post me ocupou a ideia por esses dias, meio sorrateiro e elétrico, mas sem nunca se concretizar em qualquer coisa que não fosse mais do que uns pensamentos esparsos e desordenados. qualquer coisa poderia caber no post se ele existisse: qualquer rastro de lucidez, nesga de sonho, literatura de algodão. qualquer poesia adubada teria valido a pena para que não crescessem nas paredes brancas deste blog o bolor da inércia continuada. mas o post, é, pois, nada mais do que isso: uma naftalina para que não se embolore o quer que haja, e para manter as fantasias deste carnaval tão limpas e vistosas como as daquele.